Terça-feira, Dezembro 07, 2010

Análise do Estudo EUA sobre Jovens & Hiper-texting

Hyper-texting and Hyper-Networking Pose New Health Risks for Teens.
Publicado no periódico American Public Health Association.



Entendo que o excesso de consumo de mídia pode identificar pessoas jovens e até adultos em risco a saúde. Por outro lado, tenho fortes dúvidas de que a redução do acesso à mídia reduziria os comportamentos de risco. Alternativas para proteger os jovens, implicaria uma análise muito mais profunda, relativa às raízes e processos que levam ao comportamento de risco a saúde.

Minha opinião é que o cerne da questão seria reconhecer que o contexto socioeconômico, a falta de auto-estima, a educação não-eficaz, a falta de realização pessoal e reconhecimento e criar subsídios a apoiar a formação de jovens emocionalmente saudáveis.

Fico muito preocupada quando leio artigos dessa magnitude. Entendo os dados estatísticos que gritam por socorro de uma geração. Mas sem a menor duvida preciso colocar em questão o que está motivando esses números.

Entendo que estamos presenciando uma geração crescendo dentro de um grande hipertexto. A mídia faz parte das ferramentas sociais, profissionais e pessoais de cada pessoa contemporânea. Contudo, a associação do hipertexting sendo um fator de risco e preditor de alterações de comportamento da geração Internet, realmente me parece radical e precipitado demais. Penso que o centro na questão poderia encontrar um contexto socioeconômico desfavorecido, falta de autoestima, abandono educacional, falta de reconhecimento e validação emocional.

Imagine um jovem que faz parte da população apresentada, e inverta a situação. Não acredito que o fato de integrarem uma camada socioeconômica desfavorecida, de serem do sexo feminino e de não terem uma figura paterna em casa tenha sido provocado pelo uso abusivo da Internet, estes fatores são constitucionais ao jovem – eles não têm como interferir diretamente nessas variáveis. Esses fatores anteveem à utilização em hipertexting e no abuso de redes sociais.

Dessa forma, inverto a ordem da pesquisa e sugiro uma nova hipótese para o estudo.

Será que jovens que fazem parte deste contexto compensam um desgaste emocional ou procuram no hipertexto, internet, nas redes sociais uma indenização emocional a situação presente em suas vidas?

O Mundo Virtual é composto primordialmente pelo anonimato, interatividade e alivio emocional. Posto no quadro abaixo.



Se o jovem não tem a estabilidade emocional, a tendência é que ele vá procurar saciar essa necessidade em outras formas. O Mundo Virtual se apresenta como uma grande chance de possibilidades.

No momento em que o jovem percebe que na interatividade existe uma alteração favorável do humor, essa cadeia cíclica tende a se intensificar – formando essa onda de hipertexting chegando – em média, a 120 mensagens por dia ou mais de 3 horas em sites de redes sociais.

O relacionamento online, por que se envia uma mensagem de texto – envia-se a alguém, segue outra forma bastante peculiar.



No momento da troca de mensagens tende a proporcionar uma auto revelação que presencialmente seria filtrada por pressões sociais. A auto revelação cria uma proximidade emocional que gera uma troca afetiva. Significa então dizer que a falta de autoestima, sensação de abandono, falta de reconhecimento e validação emocional estariam sendo supridas e compulsivamente desejadas no ato de enviar/receber mensagens.

Interessante quando o estudo apresenta que: os adolescentes que são hiper-networkers são:
62% mais propensos a ter experimentado cigarro,
79% mais probabilidades de ter tentado álcool,
69% mais prováveis de beberem compulsivamente,
84% mais prováveis ter usado drogas ilícitas,
94% mais propensos a ter foi em uma luta física,
69% mais probabilidades de ter tido relações sexuais e
60% mais prováveis relatar quatro ou mais parceiros sexuais.

Esse quadro indica que 6 dos 7 fatores de comportamentos relacionados ao jovem hipernetworker estão relacionados a comportamentos que induzem a alteração de humor – cigarro, alcool, drogas, agressividade fisica e sexo. O estado de insatisfação emocional como a depressão e ansiedade, engatilha um movimento de busca do equilibrio emocional.




Insatisfação Emocional – Comportamentos indutores a alteração de humor – Alívio Emocional

Alívio emocional não significa elaboração da insatisfação emocional anterior, simplesmente é uma sensação fisiológica de prazer.

Novamente penso, será que é a utilização abusiva das redes socias ou hipertexting que predizem estes comportamentos? Ou um estado emocional insatisfatorio que engatilha o abuso das ferramentas digitais e consequentemente os comportamentos apontados na pesquisa?

O estudo desenvolvido pela American Public Health Association é extremamente relevante para saúde pública pois pontua e demarca um sinal visível que é o abuso da Internet e dos meios interativos digitais. Parece bobagem, mas muitos pensam que a utilização do mundo virtual é segura pela falta da concretude presencial. Engana-se quem pensa dessa forma. As consequências são reais e intensas, principalmente em jovens em formação e desenvolvimento da personalidade suas limitações e possibilidades.

Luciana Nunes

2 comentários:

Anônimo disse...

Minha filha passa o dia enviando mensagens... as vezes acho que ela está em transe!

Luciana Nunes disse...

Se vc percebe que sua filha passa o dia enviando mesnagens, significa que tem outra(o) jovem tb recebendo e bem provavel respondendo aquela msg.

É uma geração diferente, o que não significa que seja errada.... o problema é quando o envio de msgs começa a interferir nas atividades sociais, academicas e nos relacionamentos afetivos.